Ainda não é ano novo…

Ainda não é ano novo…

Este ano está terminando e uma amiga colocou uma enquete solicitando:

“Diga uma coisa boa que fará de 2021 um ano inesquecível”.

E não consegui pensar em nada. Aliás, pelo que eu vi, a maioria não conseguiu.

Um ano em que deveríamos estar mais livres da pandemia, só que não.

O desemprego, a fome, a doença, a miséria e a maldade cavalgam como as bestas do apocalipse.

E mesmo não acreditando em maldições bíblicas, sei que todos os dias é o apocalipse de alguém.

Neste momento a Bahia está vivendo um apocalipse.

Pessoas isoladas pela água de uma chuva totalmente desigual.

Tão desigual quanto as pessoas defendendo suas pequenas casas, vidas, hortas da destruição das corporações.

Enquanto temos 600 mil mortes, um celerado diz que governa, mas ele só mata.

Enquanto temos um desastre natural, um verme faz passeata de moto.

Porque só assim ele mostra poder.

Quer mostrar poder de verdade? Vira gente!

Pare de queimar, abater, destruir.

Não se constrói nada sobre o sangue dos outros.

Hoje vi frases do tipo: “eu não imaginava que seria o pior presidente”.

Nem me lembro de quem é.

Mas eu tenho uma resposta, que é:

Não imaginava ou está sendo debochado (a)?

Porque isso só pode ser isso, um deboche.

Pare de achar que quem está nas ruas é porque quer;

Não fique dizendo que só não trabalha quem não quer;

Deixe de pensar que uma pessoa se sustenta com um salário mínimo;

Não está fácil pra ninguém.

E, finalmente, fique feliz com o que você tem.

Mas… tire de sua mente que o que você tem só fica bom se ninguém mais tiver.

Só seremos felizes em 2022 (e no futuro) se começarmos a pensar que todos têm o direito à vida.

Veja bem, não é sobreviver, é VIVER.

É trabalhar, pagar as contas; ter moradia; educação; saúde; segurança; lazer.

E não teremos isso com todos os direitos roubados.

Em 2022 eu gostaria de viver e isso vai além de respirar.