Aniversário especial

Aniversário especial

Parabéns à minha terra natal

No dia em que minha cidade natal, São Paulo, completa 468 anos, queria escrever um poema que falasse da selva de pedra humanizada que alguns veem, mas não eu.
Veja bem, amo minha cidade.
No todo, mesmo que haja coisas que não conheço dessa imensidão, ou em partes, como prefiro fazer, porque cada canto de São Paulo é único.
Amo a minha cidade, mesmo que insistam em maltratá-la com obras que não lhe cabem, com sujeiras que não lhe pertencem.
Minha cidade tem gente do mundo todo e é uma confusão tão grande de pessoas que, mais que uma cidade, é um monte de cidades em uma só.
Por exemplo: São Paulo é a maior cidade japonesa fora do Japão, ou pelo menos era há alguns anos.

É a maior cidade da América do Sul em população, com mais de 12 milhões de almas.

A cidade tem um monte de parques legais, mas também tem áreas de subúrbios entre as mais feias do mundo.
Culpa da grana que ergue e destrói coisas belas.
Retrato da ganância desmedida que joga pessoas nas ruas, sem eira nem beira.
Faço parte de um grupo que troca fotos antigas da cidade e curiosidades sobre a megalópole dos tempos em que a população era uma fração da atual.
Mesmo que muitos no grupo desejem voltar a um passado que não é mais possível, é bacana matar as saudades.
Saudades de prédios e casas demolidos em nome de um progresso sem medida.
Das lojas que duraram gerações, mas que não têm mais espaço no século XXI.
Saudades de tempos mais simples e pessoas mais contidas.
Mas essa aceleração é apenas a consequência da pressa que sempre foi atribuída ao povo paulistano.
E agora não há mais o que fazer.
O lema da cidade é Non dvcor dvco (Não sou conduzido, conduzo), mostrando uma sede eterna de liderança.

Então aceitem a liderança e sigam em frente.

Feliz aniversário São Paulo, terra que já foi da garoa, mas que não é mais.
Que seu aniversário traga para você ventos mais amenos e menos poluídos.
E que os caminhantes, como eu, possam voltar a andar por suas ruas em paz.
Que todos nós apreciemos os pedaços de mundo que você guarda em cada canto.
E que esta cidade aprenda que a solução dos problemas dela não pode ser comandada pela ganância.