Cadê a árvore que estava aqui?

Cadê a árvore que estava aqui?

Meu abacateiro cortado sem motivo algum!


Para quem já leu meu blog, que faz aniversário este mês, sabe que há algumas coisas das quais eu gosto muito de falar, como culinária, hortas, jardins, reciclagem e natureza.

Talvez por ser uma moradora de cidade, eu sinto falta de muitas coisas como espaços seguros e arborizados para caminhar.
Diadema precisa voltar a plantar.
Quando eu comecei este artigo ia falar das calçadas quase inexistentes da minha cidade.
Mas agora eu quero falar da antiga administração e de toda a supressão vegetal feita na cidade.
Tudo em nome de empresas que não duraram.
E feitas com a promessa de uma ‘compensação ambiental’ que nunca vemos, nem acontece na mesma região desmatada.

Antes de mais nada, mostrarei algumas fotos (com legendas), de árvores cortadas no meu bairro, mas não consigo mostrar todas, já que foram muitas.

Piraporinha, quando me mudei para cá há 16 anos, tinha árvores em todas as ruas do meu entorno.

Tinha três áreas verdes que foram destruídas para dar lugar a:
Três torres de apartamentos de 25 andares; um condomínio industrial; uma praça de caminhadas que está sempre zoada.
Houve compensação? Claro que não!
Aliás, nem mesmo a rede de água e esgoto foi redimensionada para aguentar tanta carga.

Cortes e podas de árvores feitos de qualquer jeito

Quando escrevi este post (há dois anos) o ex-prefeito fez uma “visita técnica” à praça mais antiga da cidade.
Para fazer o que? Transformar em estacionamento.
Ou seja: árvores e humanos fora! Carros são mais importantes.
E a administração é do Partido Verde…
Eles fizeram o inominável e a praça, que era uma ilha verde de frescor, virou um local desfigurado.

De Diadema a Santo André, o Grande ABC fica mais seco e cinza

E pegando nesse gancho, vou falar das árvores do estacionamento da prefeitura de Santo André.

Na calada da noite, foram arrancadas várias sibipirunas.

A alegação era de que não se “desenvolveram adequadamente”… mas que estavam ali há mais de 50 anos.

Fiquei tristemente surpresa, pois aquela cidade sempre teve certa preocupação com a questão do verde e da qualidade de vida.

Santo André tem até programas inovadores na questão de coleta seletiva.

Outra alegação para cortar e mutilar árvores é de que galhos caem e atingem veículos e pessoas.

E falam como se isso fosse algo comum de acontecer no local.

Mas, sabemos que árvores só atacam em legítima defesa.

Restos das Sibipirunas do Paço de Santo André, por Edu Guimarães

Santo André e Diadema são as únicas vilãs? Não.

Antes de mais nada, nenhuma cidade da Grande São Paulo está livre da motosserra assassina.

Pessoas de várias regiões de São Bernardo dão queixa de árvores cortadas, enquanto o mato das calçadas não é nem aparado.

Aliás, as coletas seletivas em cidades onde acontecia foram cortadas.

Ah sim! Estamos economizando, mas também não estamos administrando.

 

Estacionamento sem as árvores, com uma “irônica” lixeira, por Edu Guimarães

Administrar não é mostrar poder é fazer gestão para todos

E chegamos ao ponto que eu queria.

Estamos elegendo administrações que não sabem como é difícil fazer a zeladoria de uma cidade.

É preciso entender e cuidar da questão do lixo e do do bem-estar dos munícipes.

Pessoas que entendam de saneamento; escolas; e de como a cidade pode melhorar se cuidarmos dela.

Entre as necessidades está o plantio (em todas as regiões) de árvores e vegetações.

Há estudos internacionais que atestam os benefícios à saúde quando há mais verde nas cidades.

Aliás, o verde aumenta o bem-estar e diminui a violência.

Não estou dizendo aqui que a criminalidade vai acabar plantando árvores.

Mas as pessoas, devido ao verde mais espalhado, tendem a ser menos briguentas e mal-humoradas.

Cria-se ânimo e bem-estar.

Nos últimos 16 anos em que estou aqui vi as árvores do meu bairro sumirem, ou serem podadas tão descuidadamente que acabaram mortas.

Vi o ruído (de carros, ônibus, motos, caminhões e pessoas) aumentar ao limite do intolerável.

Há um aumento de poeira cada vez mais cinza e particulada

Os córregos e riachos já muito poluídos nunca foram recuperados.

Árvore suprimida porque atrapalhava a passagem de pedestres, mas cujas raízes permanecem no local

As águas das represas que nos abastecem estão com poluição de metais pesados, impossíveis de tratar.

E os esgotos estão explodindo por serem mal dimensionados.

Precisamos parar a espiral da morte que corta árvores e não traz a chuva que precisamos para limpar o ar e as ruas.

É preciso encher nossas represas e rios senão morreremos.

Antes de mais nada, não tenho uma solução para tudo isso.

Aliás, esse foi um dos motivos de criar este blog, o de debater sobre o assunto.

Mas, como muitas coisas, não creio que tive grande sucesso na criação do diálogo.

Meus comentários foram desativados por conta de spams e links nocivos.

Espero melhorar se superarmos a pandemia.

Mas creio que, além de escrever, terei que fazer uns terrorismos verdes.

Vou plantar em todos os buracos que houver nas calçadas.

Cortarei todos os fios que estiverem caídos nas vias.

Quebrarei com minhas próprias mãos todo veículo que passar aqui com ruído acima dos 30 decibéis.

Torçam por mim!

Por mais áreas verdes que nos tragam vida
 

 

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