É tão difícil assim de entender?

É tão difícil assim de entender?

Esse é um daqueles posts em que eu falo sobre algumas situações atuais vivenciadas por mim e questiono a respeito delas.

Não são necessariamente perguntas que espero a resposta de alguém, porque sei a resposta a muitas delas.

A primeira dessas questões tem a ver com a cegueira seletiva de muita gente.

Cegueira que ainda os faz dizer que todo ser humano de esquerda deve ser o demônio encarnado.

Digo isso porque ontem, uma senhora sentou ao meu lado no ônibus, e começamos a conversar.

Tudo estava bem enquanto questionávamos o porquê das empresas prestadoras, como ENEL e Sabesp nem se preocupam em avisar quando haverá alguma “manutenção” e que teremos corte de energia ou água.

A conversa ia bem até que ela começou a defender certo cantor que achou estar acima do bem e do mal, e falou o que não deveria.

Nem preciso dizer que eu falei o que pensava a respeito do dito cujo.

É o seguinte: já deu no saco de gente defendendo imbecis que só querem manter seus privilégios.

DÁ PRA DEFENDER PESSOAS QUE PRECISAM DE AJUDA E PERDERAM ATÉ O DIREITO DE VIVER E RESPIRAR?

(É sim! Isso aí em cima sou eu gritando).

Conheço muitas pessoas que estão cortando um dobrado para sobreviver e ainda por luxo ajudam pessoas que perderam tudo, até a esperança.

É tão difícil assim parar antes de falar bobagem?

Saindo da história da mulher e do ônibus, vamos ao meu “passeio” pelo centro velho de São Paulo.

Não interessa ao que fui, mas o que eu vi.

Nunca, em todos os anos que passo pelo centro, eu vi tanta gente morando nas ruas.

É desesperador saber que nos últimos quatro anos a população de rua aumentou 53%.

Pior ainda quando vejo que tem gente disposta a defender um boçal, mas não essas pessoas.

Porque dentro da cabeça preconceituosa desses seres, aquelas pessoas sem eira nem beira “merecem” o que estão recebendo.

Pessoas que pensam dessa maneira são aquelas que também devem pensar que essas pessoas moram assim porque elas acham legal.

Acha legal não ter onde se abrigar? O que comer; vestir; fazer o próprio asseio?

Deixem-me dizer: vivam como eles, se é assim que pensam.

Sábado passado fui caminhar no meu percurso habitual, que estava meio largado por mim, um pouco por conta da pandemia.

Mas o maior motivo foi a minha tristeza por ver que a prefeitura resolveu que tinha que cortar árvores e fazer podas destrutivas.

Uma das praças, cuidada pelos moradores ficou intocada por que os locais resolveram que ali não seria mexido.

Uma amoreira, que ajudei um casal nipo-brasileiro a plantar, já está grande e dando frutos.

Fazia tempo que eu não via e queria saber se estava em pé ainda.

Está, e eles ainda fizeram dela um exemplo.

Vejam por si mesmos…

Na placa está um pedido para que não mexam nos origamis de pássaros, que cada um deles representa as pessoas que estão precisando de ajuda neste momento.

São muitos origamis, mas são muito mais as pessoas precisando de ajuda.

Se você não quer sair do seu “conforto” para ajudar, não precisa. Mas por favor, pare de atrapalhar quem faz isso.

E por favor, pare de defender gente que ajudou isso a acontecer.

Antes de terminar: eu disse àquela senhora do ônibus algumas coisas…

Se as pessoas acreditam que desejar um mundo melhor; saúde, educação, moradia, segurança alimentar, enfim, direitos básicos, se isso é ser de esquerda e demonizado por isso, então, eu sou, porque não vejo como deixar as pessoas nessa situação pode ser chamado de cristão.