Estamos andando rápido para lugar nenhum?


Como a cultura “fast” deprecia valores

Durante algum tempo na minha carreira, escrevi artigos sobre gestão do tempo.
Neles o mote principal era se organizar para não ficar amarrado a projetos intermináveis e que causam insatisfação nos profissionais.
Muito tempo depois, vejo que no que diz respeito a “gestão de tempo”, as coisas não mudaram quase nada.
Ainda se discute como está o tempo dos profissionais.
Se essa fosse uma pergunta direta, provavelmente a resposta seria um daqueles lugares comuns: ‘estou sem tempo’.
Já naquela época eu questionava a carga colocada sobre os ombros dos profissionais, que tinham de dar conta de montes de deveres.
O pior é que nem tinham a contrapartida de salários compatíveis, ou mesmo tempo hábil para a realização de tarefas.
Pior, as metas a serem atingidas eram quixotescas, o que, para mim, sempre representou um desrespeito com o profissional.
O mesmo profissional que acabava ‘tocando’ a vida sem atentar para tudo o que acontece ao redor.

A vida é para ser vivida e não empurrada

Anos depois, aqui estou eu, discorrendo sobre o mesmo tema e percebendo que a coisa toda só desceu a ladeira.
As tarefas se acumulam, pois as empresas acham que ‘enxugar’ é cortar profissional da folha de pagamento.
Ou pior, contratar alguém “bem baratinho” para um trabalho que custa caro e dá prejuízo caso seja mal executado.
Para o profissional, o segredo é estar atento ao momento presente, sem projetar o que vem, ou pode vir.
Porém, nos dias atuais, planejar virou supérfluo.
Aí tudo se torna uma bola de neve, com profissionais acumulando trabalhos e perdendo a capacidade de criação.
Ninguém mais soluciona problemas ou mantém o foco nas necessidades reais do trabalho.
E chegamos ao ponto onde a paciência acaba.
Tudo isto resulta também na queda da qualidade de vida e de saúde.

Não se atropele. Faça as coisas com calma

Sei que empresas precisam de produtividade, e deveríamos cobrar isso também dos serviços públicos.
Mas tem gente confundindo o ‘fazer depressa, mas cuidadosamente’, com o ‘fazer depressa e de qualquer jeito’.
É a tal cultura do fast, que está fazendo as empresas perderem o que têm de mais valioso.
Criatividade, valores, o espírito de equipe, a energia e qualidade no relacionamento com o mercado se perderam.
Aliás, de tudo que aprendi ao longo dos tempos, a principal coisa é que nada pode ser feito sem planejamento, sem criatividade, sem reflexão e tentativas
Principalmente é preciso respeitar o profissional.
Pode parecer ingenuidade minha falar sobre essas coisas em um momento em que essas palavras perderam o significado.
O que vivemos não é uma recessão, mas um retrocesso de tudo o que realmente tem valor.
Precisamos (todos nós) nos dar algum tempo para respirar antes de realizar algo.
Precisamos entender que andar mais devagar pode ser melhor para atingir os objetivos.
Vamos introduzir a cultura do slow nas nossas vidas.
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