Jingle bells e vamos às compras (!)

Jingle bells e vamos às compras (!)

A única receita de hoje é de caos

Gosto de uma infinidade de coisas no Natal.

Das reuniões da família que hoje estão mais na minha memória que na realidade

Dos amigos visitando uns aos outros só para desejar tudo de bom.

Vejam bem: nasci em tempos mais simples, e presentes de Natal não eram tão obrigatórios assim.

Mas o tempo passou e a coisa foi crescendo, até que a figura do Jesus menino nascido em uma pobre manjedoura diminuiu e as figuras pagãs como o Papai Noel foram crescendo.

E nós fizemos isso acontecer.

Hoje acho insuportável até mesmo a ideia de sair para comprar um presente.

As ruas estão entupidas e as lojas cheias.

Até o ato de sair para tomar um drinque fica impossível.

Os bares estão cheios de gente gritando loucamente, como se a felicidade precisasse ser expressa em 200 decibéis.

E ainda estamos em uma pandemia…

Desculpem… Estou de mau-humor por conta do calor senegalês que anda fazendo.

Só a ideia de me enfiar em qualquer lugar barulhento e quente me deixa louca.

Aí, acompanhando um anúncio besta, resolvo olhar os preços na internet.

E fico mais louca.

Como é que alguém pode colocar um preço em alguma coisa besta, tipo um celular, que corresponde a uns cinco salários mínimos do país e alguém achar isso normal?

Ou pagar pela comida de casa com cartão de crédito porque o 13º (quem ainda tem isso) já está comprometido com outras coisas?

Odeio essa sanha consumista de final de ano, porque me lembra do quanto estamos ferrados.

Olha… Longe de mim em querer que todo mundo esqueça os presentes, os amigos secretos, as ceias fartas e tudo o mais.

Mas realmente acredito que está na hora da gente baixar um pouco a bola e lembrar que essa data é para nos lembrarmos de que esse é o tempo da misericórdia.

Tempo de amor ao próximo; do respeito e da alegria que representa o nascimento de Jesus.

Não vou tão longe quanto o padre da missa de ontem, que chamou Papai Noel de abominável.

Só acho que passou da hora de lembrarmos o que realmente importa.

Este ano vou pensar nas pessoas que perdi, e nas saudades que tenho de um mundo de momentos.

E não darei nem uma agulha para ninguém porque não estou podendo.

Vou pedir a Deus (e a Papai Noel), que nos dê trabalho e renda.

E pedir muito, mas muito mesmo, que encontremos a paz.

,