Nem todas as preces do mundo

Estava lendo uma frase do Papa Francisco, um homem notadamente voltado para os excluídos do mundo, que diz algo assim: “Que cada país tome as medidas necessárias para fazer do futuro dos mais jovens uma prioridade, sobretudo daqueles que estão a sofrer”.

Estou olhando e vejo que muito pouco está sendo feito no sentido de criar novos empregos, ou dar uma educação decente, que ensine a pensar antes de agir. Vejo jovens que nunca tiveram que se desafiar agindo por impulso, porque nunca se deram mal. E a culpa é nossa. Porque muitos de nós, ao invés de assumir os erros cometidos, fica apontando o dedo para acusar o “outro”.

Com todo o respeito, o “outro” não existe. A escola não vai educar seu filho, vai fornecer instrução. Crianças não vão à escola aprender que precisam respeitar o próximo, ou que elas têm deveres e não apenas direitos. A escola existe para ensinar português, matemática, história, geografia, ciência…

Do mesmo modo, a TV não existe para ensinar nada, mas para ser entretenimento. As coisas não têm de se adaptar a você e a seus hábitos. Você precisa fazer escolhas, e, principalmente fazer escolhas que envolvam seus filhos. Achou a TV violenta ou permissiva demais? Não deixe ver os programas que fazem isso. Existem opções sim! Pare de jogar tudo no mesmo balaio como se tudo fosse igual.

Político é tudo igual? Não é. Do mesmo modo que os dedos da mão não são iguais, as pessoas não são iguais. Evolua! Você não precisa se enquadrar naquilo que você não gosta ou que não lhe deixa confortável, mas antes de decidir, pense por si mesmo e não com um preconceito que alguém plantou em sua mente com o disfarce de bom-senso.

Voltando ao início, a frase do Papa era sobre criar um mundo melhor e mais humano para as gerações futuras, o que não estamos fazendo. Estamos destruindo o meio ambiente de forma implacável. Águas, animais, plantas, nós mesmos. Tudo dizimado em nome da ganância e da falta de respeito com tudo que respira neste planeta.

Continuamos pregando um ódio e um preconceito ilimitado contra mulheres, negros, moradores de rua, religiões, falta de religiões etc. Não importa. Tudo em nós é fundamentalismo e isso precisa ter fim.

Estamos na segunda década do século XXI, entrando na terceira e não evoluímos! Temos montes de tecnologias à disposição, mas continuamos deixando pessoas à margem. Amamos coisas e usamos pessoas, enquanto isso deveria ser ao contrário. Porque continuamos dando mais importância aos objetos que aos objetivos?

Vejo milhares de aplicativos sendo criados e disseminados indiscriminadamente, como se não houvesse amanhã. Mas… pessoal! O amanhã vem depressa. Quantos empregos um aplicativo cria? Quantos empregos ele destrói? Vale a pena mesmo jogar mais alguns milhões de pessoas nas ruas, sem saber o que farão de suas vidas?

Sei que estou indo longe demais, porque nas mentes rasas que tenho visto, uma pessoa que perdeu todos os modos de sobrevivência e sai vendendo brigadeiro é uma empreendedora. NÃO! É apenas uma sobrevivente! Do mesmo modo que a grande maioria das pessoas que trabalham são sobreviventes. Ou alguém realmente acredita que a grande maioria tem uma “carreira”.

Uma carreira é fazer algo que se ama e receber por isso um salário que ajude a pagar as necessidades básicas, o lazer e ainda se fazer um pé de meia. Nunca vi isso acontecendo. E não vejo um futuro onde isso aconteça. Estamos frustrados com o trabalho e com a remuneração. Muitos de nós aceitamos condições inadmissíveis para conseguir sobreviver. E de que modo isso é criar um mundo melhor para nossos filhos? Alguém pode me dizer?

Perdoem se eu divago em torno das coisas, mas estamos em um mundo cada vez mais insano e estamos todos sendo jogados na arena dos leões para a diversão de alguém. Precisamos voltar a ser humanos!

Vamos aproveitar o Natal e refletir sobre o nosso papel neste mundo. Tenho feito isso bastante, mas ainda não tenho conclusões. Mas gostaria de criar algo que incluísse mais as pessoas e que tirasse um pouco o foco dos objetos. Vou rezar muito por isso, e esperar que minhas preces sejam atendidas.

Em tempo: eu deveria, neste momento, criar alguns posts para chamar a atenção, tipo “cura”, “libertação”, “simpatia infalível”, e coisas assim. Vou escrever isso ainda hoje, mas tinha que colocar minhas reflexões no blog, ou ele deixaria de ser um blog. Não é mesmo?

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