O que aprender dos caminhões parados

Um bom motivo para plantar hortas comunitárias

Os caminhoneiros estão parados e o motivo é uma alta estapafúrdia dos combustíveis. Até aí todos sabemos, já que está em todos os noticiários, comentários e tudo o mais. Na verdade é apenas um ponto de ruptura de uma situação que já vem se arrastando e chegou até uma categoria que já é bastante prejudicada.
Eu gostaria muito de estender os comentários e análises dizendo que só não vê o que está acontecendo quem não quer, porque o gás de cozinha, aquela coisa que se usa em todos os lares para poder levar alimentos à boca das famílias está aumentando todos os meses. Ah se as famílias se unissem e mandassem brasa…
Discutindo os preços ligados diretamente ao petróleo (a maioria está), outro dia um conhecido de fora do país falou sobre o preço em euro dos combustíveis. Tentei fazê-lo entender que nós também estamos com todos os preços em euro, mas nossos salários, quando os temos, é em reais. Depois fiquei pensando nas pessoas que dizem: “mas isso também acontece aqui”, como se isso fosse algum tipo de consolo.
Aliás, nem vou falar em alta de preços, porque estamos cheios de aproveitadores no País. Aqueles malditos que “gostam de levar vantagem em tudo”. Quem esteve em alguns mercados nestes dias (nem vou falar na rede genuinamente brasileira) deve ter reparado que a cada dia o preço de alguma mercadoria estava maior que o dia anterior.
Sem falar no desabastecimento, pelo menos percebi isso aqui na minha cidade. E preços verdadeiramente extorsivos, mais até do que os que eles costumam praticar. Ah! A feira do meu bairro, a maior de toda a cidade, com cinco ruas tomadas por barracas, não tinha uma única que vendesse verduras e legumes. Dei graças aos céus por ter ido à horta comunitária um dia antes e ter comprado verduras orgânicas, a preço mais baixo que aquelas cheias de agrotóxicos, e com uma pessoa que plantou, regou, tratou e foi muito gentil na hora de comercializar.
Venho aqui falar mais uma vez da capacidade que os brasileiros têm de se adaptar na hora da crise. Porque sempre vamos dar uma rebolada para conseguir.  Eu poderia até comemorar isso, mas me entristece sermos sempre jogados de um lado para o outro como se o dinheiro não fosse nosso e os direitos de como ele deve ser empregado também.
Mas vamos falar em hortas, em pequenos produtores, lutando para manter suas cabeças acima dessas crises que só beneficiam uns poucos enquanto a maioria vai continuar se danando. 
 
Procurem hortas comunitárias em seus bairros e prestigiem esses agricultores que tomaram os terrenos baldios da cidade. Sejam esses agricultores. Precisamos parar de depender de coisas que vêm de muito longe. Na cidade onde eu vivo temos quase 50 hortas comunitárias, contando as educacionais, que estão dentro das escolas e servem para instruir e alimentar crianças, e terapêuticas, como a da Santa Casa, por exemplo.
Mas o que eu quero com toda essa prosa é dizer que há soluções simples, que estão ao nosso alcance para contornar mais essa crise. Vamos mostrar que não temos poder apenas de criar boatos destrutivos. Podemos construir um país novo. Vamos começar tomando espaços abandonados e transformando tudo em hortas? Podemos assim diminuir a nossa dependência do transporte rodoviário, que deixa tudo caro e, como agora, deixa todo mundo na mão, sem ter para onde correr.

 

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