Porque as pesquisas excluem?

Porque as pesquisas excluem?

Já repararam que as pesquisas quase nunca são para pessoas comuns?

Já comecei e parei este artigo um monte de vezes, mas toda vez que resolvo deixar tudo de lado e me retirar da briga, eles vêm e me puxam para dentro do ringue.

A primeira vez que resolvi falar sobre isso foi em uma das muitas vezes nas quais me inscrevi em um site para responder pesquisas, mas toda vez que me mandavam alguma coisa para responder alguma coisa parava o formulário e me mandava para outra pesquisa, que por sua vez também não terminava, e assim sucessivamente. Até que me irritei e pedi a exclusão do meu cadastro.
Mesmo depois disso, ainda me mandavam e-mails para eu voltar, o que eu não estava disposta, porque o que eles diziam levar, no máximo (!), 15 minutos, acabava tomando um tempão e nunca chegava a uma conclusão. Posso contar nos dedos de uma mão as vezes que consegui responder um questionamento até o final. Ah! E gostaria de saber se alguém conseguiu e se teve a tal recompensa prometida por suas pesquisas. Sim! Porque muitas delas prometem dinheiro. Mas nunca vi se alguém recebeu.

Pesquisas para menores de 35 anos? Para mulheres? Para incas venusianos?

Voltando a modos de exclusão, entendo que as pesquisas têm que delimitar um universo, mas já que isso está sendo feito por algoritmos, porque me mandam uma pesquisa direcionada a homens entre 21 e 35 anos, já que sou mulher e tenho 56? O algoritmo deles é o mesmo que me manda propaganda de Viagra, mesmo eu sendo mulher e não fazendo uso de pílulas azuis?

Muito bem, a coisa toda começou a me incomodar em um dos meus grupos de rede social, que mandou uma pesquisa (remunerada) de moda, e tinha como parâmetro não ter participado de nada com a pesquisadora nos últimos 8 meses, ser de São Paulo e gostar de moda.
A pesquisa usava a atriz Lisa Kudrov (a Phoebe de Friends) como modelo de uma loja de departamentos conhecida e perguntava por que pararam de comprar, usando os tópicos: “Não faz seu estilo”; “Peças sem qualidade”; “Peças sem caimento” etc.
Após muitas inscrições, limitaram de novo por faixa etária, entre 20 e 35 anos. Como não entendi, questionei, já que a atriz é apenas dois anos mais nova que eu. Ouvi um silêncio do outro lado que pensei estar no espaço. E até agora não responderam a pergunta.

Mas, vamos em frente. Esqueça e supere!

Ontem, novamente em rede social, uma empresa de pesquisas bem grandona lança uma enquete online, que só pode ser respondida por mulheres. Entrei, fiz meu cadastro e… Surpresa! Não fui aceita porque estava fora dos parâmetros. Que parâmetros? Será que eu não sou mulher? Novamente estou sem resposta, mas, pelo que percebi nos posts, não fui a única. Até o momento, há mais de 10 mil pessoas reclamando da mesma coisa. Se isso me consola? Não!

 

Sinto-me como a pessoa que foi procurar a justiça, mas não foi ouvida. Que quis opinar sobre um produto, mas a empresa não quis ouvir, ou como a pessoa que foi atraída para algo, mas foi deixada de fora sem razão alguma. Finalizando, peço aos pesquisadores ao menos um pouco de respeito com o tempo e boa vontade das pessoas. Um dia vocês podem precisar e não encontrar mais…