Precisamos falar de aprendizado

Precisamos falar de aprendizado

Por favor, parem de queimar livros!

Vou começar de forma inusitada, me lembrando de algo que minha mãe dizia sempre… “Filha: a hora que você pensar que não precisa aprender mais nada, é o fim da sua vida”. É uma lição para carregar toda a vida, e gostaria que mais pessoas pensassem dessa maneira.

Porque estou falando sobre isso? Porque esta semana está sendo bem difícil, e a sensação que eu tenho deste país é que não estamos fazendo grandes fogueiras para queimar livros… Estamos queimando as editoras, as livrarias, as bibliotecas.

Vamos começar com um domingo, no qual estava conversando com um jovem bem maduro para a idade dele, e falávamos sobre algumas dicas de leitura de filosofia (voltaremos a isso mais tarde). Alguém começou a gritar que era tudo bobagem, que ele deveria ler a Bíblia.

Minha vontade foi gritar: Pelo amor de Deus! Leia outro livro! E me lembrei de um islâmico de outros tempos, que incendiou a biblioteca de Alexandria, pois para ele aqueles livros diziam algo diferente do Corão, portanto eram perigosos, ou diziam a mesma coisa, portanto eram inúteis.

Entretanto, a religiosidade não é nem de longe o maior problema. O problema é que a falta de vontade de aprender criou um novo tipo de fundamentalismo: o da ignorância!

Eu não sei, portanto ninguém mais pode saber, ou tentar aprender. É a mesma coisa que leva uma pessoa a acreditar que só porque alguém nasceu em certa classe social não pode ir para outra, e isso vale de qualquer lado. Evoluir não deveria ser criminalizado, mas está sendo.

Nesta semana, em comemoração ao dia mundial do livro, uma reportagem fala do fiasco de um dos mais conhecidos livreiros do país (não vou falar o nome), por fazer seus funcionários de escravos ou algo parecido. O problema são os livros? Não! O problema são as pessoas que precisam se sentir melhores que as outras! E acabam mostrando que estão longe disso!

Nesta semana o governo federal resolveu tirar dinheiro da educação afirmando que Filosofia, História, Geografia, Sociologia etc. não merecem nem uma fatia. Mais uma vez vejo um direito suprimido. Conheço um monte de gente que está falando (pelos cotovelos!) que isso é inútil mesmo. Mas o que eles me mostram? IGNORÂNCIA!  Eles não aprenderam (porque não quiseram), e querem tirar o direito de quem quer aprender!

E são essas pessoas que estão fazendo tudo descer ladeira abaixo, porque se preocupam com o que o outro faz, mas não se mexe para nada. Deveríamos nos preocupar com ter escolas melhores; com mais segurança; com a criação de postos de trabalho para gerar mais renda; precisamos nos preocupar com esse cidadão que se recusa a prender mais para ser uma pessoa mais produtiva!

Vou fazer agora uma porção de perguntas (retóricas ou não) que gostaria de ver respondidas.

  • Para que escrever e publicar livros se as pessoas não acham importante ler?
  • Porque fazer música de qualidade para pessoas que ouvem qualquer coisa no último volume?
  • Porque pintar um quadro, já que isso é só arte e não importa mesmo?
  • Porque produzir um bom vinho para paladares que não o diferenciam de água sanitária?
  • Porque ter bibliotecas e livrarias? Escolas, hospitais, universidades…
  • Quem pode dizer o que é ou não necessário?

Em alguns dos meus grupos, estou vendo pessoas comparando estes tempos com a Idade Média, erroneamente eu ouso dizer. Naqueles tempos alguns homens sábios se reuniram e fizeram a primeira Universidade. Copiavam livros à mão para que o conhecimento não se perdesse. Não é nada parecido com o que estamos vivenciando, que é uma era de destruição e não de descobrimentos.

Do modo como vejo, as pessoas estão tão ressentidas com a própria ignorância que se acham no direito de negar aos outros o aprendizado. É como aqueles moleques mimados que estão jogando com os amiguinhos, mas quando estão perdendo o jogo resolvem sair do campo, e ainda dizem: a bola é minha! Vou levar pra casa!

 

Obs.: durante a Segunda Guerra Mundial, uma iniciativa marcou, para sempre, os soldados norte-americanos. Milhões de livros foram enviados ao front para a distração de homens que estavam em locais horríveis, distantes de tudo o que amavam. Esses homens leram, e muito, e aprenderam. Na volta, muitos puderam frequentar universidades com bolsas de estudo e se tornaram pilares de uma nação.

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