Rita P cansada de guerra

Rita P cansada de guerra

Ontem fiquei a maior parte do dia longe de computador e blog e tudo o mais porque não estava com paciência para discutir o óbvio.

Na verdade ando tão cansada dos pensamentos rasteiros, que tudo, até a voz estridente de alguém anda me irritando.

Cansada de ver gente fazendo piada besta e se achando a pessoa mais engraçada do mundo.

Exausta de ver um dia de lutas ser tratado como se fosse o dia de dar bombom de presente.

Estou engasgada de ver tudo reduzido a uma data e não à divulgação de uma ideia.

Para algumas pessoas, o dia das mulheres é para a gente mandar rosas para a esposa/namorada/mãe/etc.

Não é!

Então: este é um dia para lembrar que ainda somos tratadas como coisas, abusadas física e verbalmente.

Com salários absurdamente baixos, mesmo quando somos mais preparadas e fazemos a maior parte do trabalho.

Aliás, tem gente pra caramba berrando que não é bem assim!

Dizem que estou ofendendo, e as coisas não são mais assim.

Mas, como dizia minha mãe para aqueles que ficavam “ofendidos” diante dos fatos:

“Se a carapuça serviu: vista!”.

Temos ministros de estado que deveriam se levantar e dizer para as mulheres que não estão sozinhas na luta.

Ao contrário, temos os que falam que elas deveriam parar com tudo e aceitar uma situação inaceitável.

Não somos coisas! Somos pessoas! Temos direitos!

Só para falar o mínimo de como a situação não é essa coisa linda…

A maior parte das agressões sofridas por mulheres é dentro de casa.

Mulheres apanham de pessoas que se acham donos delas e não são donos nem deles mesmos.

Uma em cada cinco mulheres já sofreu algum tipo de abuso.

A cada 15 segundos uma mulher sofre violência no Brasil.

Meninas são abusadas e prostituídas todos os dias.

E ainda tenho que ouvir dos medíocres que “eles conhecem uma prostituta que gosta da profissão”.

Não é engraçado como as pessoas mais medíocres sempre têm um “conhecido” que “gosta”?

Desculpem-me, mas duvido!

Nem uma menina vai para a escola todos os dias pensando em ser puta.

Que ela enfrente sabe lá Deus quais dificuldades, e que pense em sua ingenuidade:

“Então, quando eu crescer eu vou me prostituir”.

Ou um garoto que tem o ideal de ser ‘avião’ de traficante.

Pelo amor de deus parem de achar que a violência nasceu com a pessoa.

Ontem foi dia da Mulher e recebi muitos parabéns.

Agradeço.

Mas gostaria de saber que a situação mudou.

Antes de mais nada, quero saber que não há mais estupros, espancamentos, violações de direitos, danos físicos e morais.

Deveria ser um dia de comemorações, e eu rezo para que a gente um dia só precise comemorar com flores.

Por enquanto, assim como meu aniversário, não tenho motivo para soltar fogos de artifício.

Vamos à luta.