Um aniversário mais estranho que o normal

Não é segredo para os que me conhecem que meus aniversários não são os momentos mais felizes que tenho na lembrança. Guardadas algumas memórias de “festas surpresa” ou o carinho de pessoas amadas (quem me ama, me lembra), tenho mais mortes no meu período de aniversário do que festas.

Mas falemos de aniversário estranho, porque este bateu o recorde. O mundo vive uma pandemia e estamos (alguns de nós pelo menos) em isolamento social. Enquanto outros acham que estamos em férias e não levam em conta a própria segurança; nem a de suas famílias; e acham mais importante ficar na muvuca de um boteco do que mantendo suas famílias em segurança.

Gente que acha que colocar máscara de proteção na testa faz deles pessoas muito engraçadas. Não faz não seus arrogantes! Faz de vocês uns babacas inúteis que não pensam em ninguém!

Mas porque isso não me surpreende? Porque vivemos em um meio onde as pessoas acham que tudo o que elas NÃO fazem é inútil. Se elas não reciclam é porque o vizinho também não faz isso, e ainda zombam de quem faz. Se estão derrubando a floresta, quem se importa? São só árvores, animais, pessoas e nascentes que estão sendo exterminadas, mas desde que não sejam eles, quem se importa?

Quem se importa se uma mãe teve de levar seu filho para o trabalho, porque não tinha com quem deixar, e esse filho morreu porque um ser humano horrível não teve uma atitude responsável?

Juro que não queria nem falar dessa criança morta, porque nada do que se escrever ou contar, ou justiçar vai tirar a dor dessa mãe.

Nada do que eu disser ou fizer vai trazer as pessoas que morreram de volta. E nem vai dar juízo às pessoas que insistem em fazer coisas erradas, mesmo que isso possa resultar na morte de alguém. Mas isso não importa, porque eu hoje queria agradecer e juro que queria mesmo um motivo para agradecer por viver. Mas meu senso de coletividade não deixa, e sinto muita dor por tanta desumanidade.

Mesmo assim, agradeço a Deus pela minha família, que me formou, me deu caráter, e que me apoia, mesmo não concordando comigo em muitas coisas. Agradeço pelo amor que eles têm por mim nos momentos bons e ruins. Obrigado a Deus por isso.

Agradeço a Deus porque me deu amigos, que lembram de mim. Que se importam em saber se estou viva e com saúde. O primeiro eu garanto, o segundo, nem tanto. Quando chegamos aos 59, se acordarmos sem nenhuma dor é porque não estamos vivos…

Obrigado a Deus por me salvar de muitos momentos e muitas pessoas ruins, mas ainda peço Senhor, mantenha minha sanidade, porque está difícil ser uma criatura pensante no lugar onde vivo. Vou deturpar uma frase da Rosemarie Muraro e dizer que é mais fácil manter o isolamento nas ilhas Maldivas do que em Piraporinha, mesmo que para muitos dê no mesmo, já que o mundo das pessoas à minha volta seja pequeno.

E para o próximo ano Senhor eu peço, não só o fim da pandemia, mas da ignorância arrogante que assola o país. Livrai-nos de todo o mal. E não me peçam nexo hoje…