Deixe a maldade de lado

Um prédio incendiado de São Paulo mostra o melhor e o pior das pessoas

 

Certo dia, um amigo me falou que não quer entrar em certas redes sociais nunca mais porque ele só vê maldade ali. E eu fiquei pensando sobre o assunto, e de cara, me veio à cabeça: a rede social é uma coisa inanimada. Ela não pode ser do mal ou do bem, porque ela depende de quem está fazendo uso dela.

É como uma faca de cozinha, que é um talher e tem milhares de usos, sendo que também pode ser o do matar algo ou alguém.

Mas não vamos tão longe. e vamos baixar um pouco o tom. Porque tudo está gerando muitas reações fortes, quase histéricas, e nenhuma dessas coisas tem a ver com a rede social e sim com o mau uso que se faz dela.

Essa semana um prédio incendiado gerou comentários tão absurdos que deu até nojo de fazer parte da espécie humana, mas também vi tantas pessoas saírem da frente de seus teclados para tentar ajudar que logo lembrei da frase: só um humano pode salvar outro.

De qualquer forma, quando entro na navegação eu gostaria muito mais de ver as opiniões de quem faz alguma coisa do que daqueles que usam um momento tão doloroso para jogar a pá de cal de seus rancores online ou não, porque já ouvi coisas ao vivo também e não foram boas.

Então vamos a alguns itens que desejo destacar:

1- Ninguém mora em barraco, na rua ou em prédio invadido porque é gostoso e porque é folgado. Essas pessoas, como milhões neste país, foram e continuam sendo jogadas cada vez mais à margem de tudo, porque lhes é negado até mesmo o direito de trabalhar e ganhar um salário decente.

2 – Mesmo que o incêndio e desabamento tenham causado a queda de parte de uma igreja histórica, isso não é o mais importante. Mais importante é que morreu gente ali. Pessoas perderam o quase nada que tinham, tudo porque quem deveria fazer algo por essas pessoas não fizeram, mas foram lá pedir votos. Afinal, são eleitores!

3- Este momento de empreiteiras corruptoras de rabo preso (e não é só uma não!) deveria servir para rever as políticas habitacionais e fazer mais uso de prédios já existentes, após reformas em regra, é claro (!), para diminuir o déficit e revitalizar áreas antes degradadas.

4 – Precisamos urgentemente parar de xingar pessoas só porque elas pensam diferente de nós. Principalmente quando essas pessoas são vítimas. E gostaria muito que alguns colegas de profissão pensassem melhor em suas perguntas antes de abrir a boca. Perguntar a uma vítima como ela está se sentindo? Ou a um bombeiro se o prédio em questão tem auto de vistoria?

Por todos os deuses, vamos deixar a maldade de lado e fazer algo de útil. É melhor do que destilar veneno nas mídias ou ao vivo. E, Paulo, um revólver sem uma pessoa é só um objeto.

One thought on “Deixe a maldade de lado

  1. Rita, ótimo texto. Parece-me que as redes sociais são extensões humanas. Podem ser positivas, negativas, neutras, maldosas, amorosas. É como se descrevêssemos um objeto com características humanas. E é. Quem movimenta as redes são os humanos, em grande parte ( impossível esquecer dos robôs ). Concordo: “ela – rede social-depende de quem está fazendo uso dela’, como você coloca. Eu, prefiro olhar e criar manifestações morosas, apesar de todo movimento contra. Bj

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