Para que tanto esforço?

Para que tanto esforço?

 Como ser um MEI sem enlouquecer?

Quando comecei este blog, a intenção, além de ganhar algum dinheiro escrevendo, foi discutir os problemas que continuamos enfrentando com o passar dos anos.
Para quem acredita que melhora com a idade, não melhora!
Sei que muitos me chamarão pessimista, mas tenho motivos para isso.
Aliás, não vejo esses arco-íris lindos das mensagens pré-fabricadas que me mandam todos os dias.

Vamos a alguns fatos: sou MEI desde fevereiro de 2018

Por conta disso, pago uma carga de impostos com trabalhos entrando ou não.

Mas apenas recentemente tive que tirar uma Nota Fiscal de serviços e procurei a prefeitura de minha cidade para saber o que fazer.

Foi quando começou o calvário.

Primeiro queriam me tratar como empresa de portas abertas, o que não sou.
Literalmente eu sento diante do computador e escrevo. Esse é o meu trabalho.
Me pediram tantas coisas para conseguir a inscrição do município que fui procurar um contador, porque não conseguia entender nada.  
E ainda tive que ouvir de uma atendente da prefeitura de Diadema, muito malcriada, dizer que o governo federal não tem nada a ver com o município.
Aliás ela colocou a cidade acima da nação.
Para quem é MEI, e já frequentou o portal, sabe que esse processo deveria ser facilitado.

A lei foi para regularizar o trabalho de profissionais e facilitar a vida do pequeno empreendedor.

Pessoas como a costureira, o vendedor de churrasco, e idiotas como eu.

Resumindo uma história muito longa, que durou mais de 50 dias, tive que colocar na linha:

Três contadores, um amigo que perdeu vários dias dentro do Poupatempo, e mais um monte de ligações para pessoas a quem eu falava “A” e entendiam “Z”.

Nesses 50 dias me pediram:

Metragem do local de trabalho (como definir a metragem de uma mesa com um computador?):
Auto de vistoria do Corpo de Bombeiros;
Certificado da secretaria de Agricultura (????) e outros absurdos.
No meio disso algumas pessoas mais inteligentes me ajudaram muito, pois eu quase enlouqueci.
E no fim, quando eu pensava estar tudo certinho… Não!
Lá vou eu ligar para a prefeitura e saber o que diabos estava errado, pois ainda não conseguia entrar e tirar uma simples nota fiscal.
Acho que foi nesse momento que alguém falou que bastava de tortura.
E um santo fiscal resolveu em menos de 5 minutos um problema que se arrastava há 50 dias.
É claro que não vou comparar a minha cidade com outras ou meu problema com o dos outros.

Antes de mais nada, quero demonstrar que não é fácil fazer as coisas certas neste País.

Porque em nenhum momento eu pedi benefícios extras, apenas o direito de fazer as coisas sem encontrar paredes no meio do caminho.
Nesse momento fiquei pensando na dona Maria, que vende trufas na saída do Metrô Jabaquara.
Ela vive com medo de que a polícia venha e leve embora o produto do seu trabalho suado, que ela faz para poder sobreviver.
Sim! Sobreviver!
Porque, assim como eu, a dona Maria tem que procurar brechas, desesperadamente, para poder se sustentar.
Nenhuma de nós está lucrando. Só se esforçando.
A questão é: Vale a pena?

 

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